segunda-feira, 4 de maio de 2009

...sobre o meu amor pela Raposa



Vamos falar do meu amor pelo Cruzeiro Esporte Clube... mas vamos falar por etapas, por épocas, de acordo com minhas sensações e emoções, na difícil tarefa de tentar transformar todo o meu sentimento em palavras.

Sou Cruzeiro desde sempre. Minha infância foi brindada por uma época de glórias que me enchia de orgulho e só consolidava minha paixão pelo Azul Celeste, que apesar das muitas alegrias, é e sempre foi incondicional.

Antes de mim houve a fase “dream time”, quando a Academia Celeste contava com Tostão, Piazza, Raul... tempo de meu pai, que tripudia sobre minha inveja por não ter visto o Cruzeiro derrotar o Santos de Pelé, Pepe e cia., por 6x2, no Mineirão. É verdade que foi derrotado no 2º jogo, no Pacaembu, por um placar que não me lembro e não faço a menor questão de me lembrar; afinal, este não foi o placar que definiu a Taça Brasil de 1966, considerado o Campeonato Brasileiro da época.

Em 1976 veio a primeira taça “Libertadores da América”, quando o Cruzeiro venceu o River Plate por 3x2, em Santiago do Chile. Naquela época jogar a Libertadores não era tarefa nada fácil e campeonatos não eram decididos por pequenos detalhes, como faltas e cartões vermelhos; os jogos eram sofridos, construídos por belas jogadas e talentos individuais que se encaixavam e formavam um grande time. Respeito e muito o futebol moderno, competentemente representado por Luxemburgo, por exemplo, que abusa mais de esquemas táticos do que de talentos; mas sinto saudades daquela época... saudades sim, pois apesar de ainda ser um projeto de meus pais, nutro absoluta certeza de que de alguma forma estive lá.

Na década de 80, depois do time desfeito, o Cruzeiro precisou se reorganizar; mas eu já havia nascido, raposa é claro, quando veio Zezé Perrela! Aí começamos colecionar títulos! Aí veio a primeira Supercopa em 1991! A segunda Supercopa em 1992! A primeira Copa do Brasil em 1993, numa final contra o Grêmio. Em 1996 conquistamos a segunda Copa do Brasil, contra o Palmeiras, quando colocamos água no chope dos palmeirenses na festa armada do Palestra Itália... e eu me lembro que o gol que decidiu o título foi do Marcelo Ramos, que obrigou um belo frango de Veloso! – lembrando que não estamos falando dos campeonatos estaduais. Em 1997 ganhamos outra Libertadores, com Dida, Gottardo, Nonato, Palhinha, Marcelo Ramos, Elivelton, Ricardinho (Mosquitinho Azul)...

Em 1997 – ano em que colocamos mais de 132 mil pessoas no Mineirão ainda sem cadeiras, em decorrência da final do Estadual contra o Villa Nova – veio o mundial no Japão... e cinco horas da manhã eu estava no antigo Salsalito (Savassi), para ver o Cruzeiro perder por 2 x 0 para o Borussia Dortmund, da Alemanha. Sobre este jogo prefiro comentar apenas que quase perdôo o Zezé Perrela por substituir o ataque vencedor de 97, obrigando o técnico a sacar dois titulares para encaixar os dois novos contratados para esta partida, desestruturando o time; afinal, que eu me lembre esta foi a única grande besteira que o Zezé cometeu em 18 anos de clube, entre presidência e vice-presidência, juntamente com seu irmão.

Em 1998 fomos derrotados pelo o Corinthians, na final do Brasileiro. No ano seguinte foi a vez do Atlético perder para o Corinthians... eu não poderia deixar de comentar.

Em 2000 veio a terceira Copa do Brasil! Na decisão, um jogo emocionante contra o São Paulo, no finalzinho e empatado – o que significava adeus ao título –, eu estava lá no Mineirão, gritando como uma louca, totalmente descompensada! Quando então, numa falta a favor do Cruzeiro, em direção à Lagoa, na reta da meia lua, aos 43 do 2º tempo... eu não tinha mais unha pra roer... muita gente ajeitou a bola, mas quem correu e chutou a gorduchinha foi quem sofreu a falta... Giovanni... bola rasteirinha... cheia de marra... furando a barreira... há! Rogério Ceni nem viu! Goooooooooooooool!!! Acho que ainda teve até bola tirada em cima da linha, a favor do São Paulo... mas o título era nosso! Ah... grande Giovanni!

Depois disso perdemos a Copa Centenário para o Atlético/MG; ganhamos Juan Pablo Sorín; ganhamos a Sul-Minas contra o Atlético/PR, quando Sorín fez o gol do título; perdemos Sorín para o Juventos - Itália, muito a contragosto de toda a China Azul, como diria Alberto Rodrigues. E veio 2003... o ano da Tríplice Coroa!

Ganhamos o Campeonato Mineiro já com um time afinadíssimo, do gol ao ataque, com Luxemburgo no comando; depois a Copa do Brasil, numa final fantástica contra o Flamengo, em dois jogos emocionantes do início ao fim! Lembro-me do primeiro jogo, num Mineirão ainda sem cadeiras, tão lotado que depois de erguer os braços não consegui mais abaixar. E finalmente ganhamos o Campeonato Brasileiro, numa vitória por 2 x 1 sobre o Paysandu, quando o Cruzeiro conquistou o número de pontos necessários. Naquele ano foi testado o sistema de pontos corridos, e eu fiquei 28 horas na fila para comprar o ingresso, na sede do Barro Preto.

Em 2004 perdemos a Libertadores; ganhamos o Campeonato Mineiro; perdemos Luxemburgo, Alex, Aristizábal, Cris, Luizão, Maldonato, Mota, Zinho...

Enfim... eu poderia, e quereria, escrever muito mais sobre o meu time, pois isso me enche de orgulho, satisfação e ternura. Vamos falar sobre o meu amor pelo Cruzeiro, mas que fique claro que, como toda paixão, não há justificativas... sente-se e pronto, é fato consumado. O Cruzeiro Esporte Clube me conquistou, não sei quando, onde ou por que... sei apenas que, desde este então que não meço quando, sou cruzeirense de alma, corpo e coração.

TÃO COMBATIDO, JAMAIS VENCIDO!




O Cruzeiro foi mais uma vez tão combatido! ...fora de campo: o Leão rugiu, brigou e latiu o quanto pôde, até ser expulso; o Kalil falador falou, falou, falou e de tanto falar deu bom dia a cavalo, ou melhor, Raposa. O fato é que ninguém conseguiu tirar o brilho, a invencibilidade, e claro, o título do time celeste.

Apesar de se tratar de uma final contra o rival Atlético, o mesmo não deu nem para a saída. A diferença técnica entre os dois times era gritante; enquanto o Cruzeiro contava com bons jogares dentro de campo e também no banco de reservas, o alvinegro dependia tão somente do solitário Tardelli, os rugidos do Leão e as ameaças do presidente suspenso, Alexandre Kalil.

O Cruzeiro e sua imensa torcida, que nada têm a ver com os problemas do Galo, ganharam muito bem o primeiro jogo (5x0) e souberam melhor ainda administrar a boa vantagem no segundo.

Ao torcedor do clube atleticano resta catar os caquinhos; e se a típica arrogância dos galináceos deixar (principalmente do seu presidente suspenso) deveria rever seus conceitos: parar de se gabar das coisas que não possuem; deixar de se preocupar em dizer que tem mais torcedores que o Cruzeiro; e começar a ganhar títulos, pois o que faz um time ser glorioso e consequentemente aumentar sua torcida cada vez mais é isso: resultado.

A imensa China Azul fica mais uma vez com o grito “É campeão!” para partir com tudo na Libertadores, que com todo o respeito aos times e o Campeonato Mineiro, este sim é o título que a torcida tanto quer este ano.

A propósito... o Kalil falou que só iria reservar ao Cruzeiro 10% dos ingressos para o segundo jogo da final... acho que ele acabou se confundindo e trocou o destino dos ingressos, pois o que se viu ontem no Mineirão foi 01 Atleticano para cada 11 Cruzeirenses! Demos um banho, dentro e fora de campo!


PARABÉNS, CRUZEIRO E CHINA AZUL!